
Excelência Operacional em Salas de Musculação
CREF: 16603-G/RJ
Quando digo que as salas de musculação estão se posicionando como um serviço comoditizado, acham que estou exagerando. Será mesmo?
Uma das coisas que mais presto atenção no mercado é a forma que as campanhas de marketing em redes sociais divulgam os serviços de uma academia com sala de musculação. Existe uma expressão que já vi sendo dita por boa parte das academias, de rede ou não, com um “up” da agência de marketing digital.
“Nossos professores são altamente qualificados”.
Vou provar pra você que essa expressão pode contribuir ainda mais para uma percepção negativa da sala de musculação.
Essa expressão mostra o verdadeiro abismo que existe entre o que é dito e o que é entregue. Tem gestor que ainda acha que isso é diferencial. Não é! Propagar isso pode virar um pesadelo por alguns motivos.
Qualificação real
Boa parte dos profissionais que atuam em salas de musculação são recém formados, logo, não fizeram tantos cursos após a graduação e nem têm tanta experiência de campo para resolver problemas que a faculdade não ensina a resolver. Outros são extremamente experientes, mas não entram em uma sala de aula presencial ou virtual há anos, muito menos encaram um bom artigo científico.
Profissional “altamente qualificado” é forjado no tempo, é soma de Formação continuada + Boa experiência na função resolvendo problemas com ajuda da ciência (atualizada). Há pouquíssimos profissionais gabaritados nesse nível fazendo plantão em salas de musculação hoje em dia.
Professor com experiência sem hábito de estudo não é altamente qualificado. Professor extremamente estudioso com 2 meses de graduado não é altamente qualificado. Muitas academias que propagam esse “diferencial” têm em seus quadros profissionais com pouco tempo de formação, sem tanta experiência e hábitos de estudo nem sempre proporcionais ao “diferencial” propagado.
Ampla diversidade
A sala de musculação atende todos os perfis, personalidades e faixas etárias, cada um com seu objetivo e necessidade específica. É a modalidade mais democrática do mercado fitness no mundo, se analisarmos os benefícios da prática regular, investimento feito pela academia em instalações e equipamentos, além do valor cobrado em mensalidades e planos.
A musculação é a melhor relação custo-benefício para o cliente.
Não é raro vermos em sala um público bem diverso. Se seu professor for altamente qualificado (como é dito), terá que atender pessoas saudáveis, hipertensas, diabéticas, neurodivergentes, grávidas, pessoas com câncer, idosos, entre outros.
Seu professor que está no plantão agora conseguiria atender todos esses públicos com 100% de perícia? Se disser que não, ele não é altamente qualificado. E digo mais, ESTÁ TUDO BEM! Se disser que sim, estará mentindo.
O problema é que quando a academia propaga nas campanhas essa “alta qualificação” e entrega um serviço parecido com o de outras academias (que também propagam o mesmo), prova que temos um setor verdadeiramente comoditizado. NÃO PODE SER ASSIM.
Qualificação exemplar custa caro, mas a periódica…
Manter um profissional com alto nível de qualificação em sala custa caro. Uma equipe inteira com alta qualificação seria impossível. A folha de pagamento não seria proporcional ao faturamento da sala, com o valor que é cobrado de mensalidade ou planos. Nem levo em consideração aqui todos os custos operacionais da sala de musculação.
Mas quando você diz que você tem uma equipe preparada para ajudar nos mais diversos objetivos, com profissionais que passam por treinamentos periódicos, a coisa muda de figura. Isso significa que nenhum membro da equipe é perfeito, mas que todos passam por capacitações, treinamentos e reciclagens periódicas. Isso sim é diferencial.
Onde mora o problema?
Treinamentos periódicos só funcionam se forem baseados em ciência atual, processos e procedimentos operacionais padrão da academia. Essa é a única forma de criar identidade, sair do oceano vermelho e não mentir para seus potenciais clientes nas campanhas de marketing.
Quando a academia cria suas campanhas com base na capacidade de atendimento e cria processos para entregar exatamente o que foi prometido, reduz-se significativamente a variabilidade na operação.
Quanto menos variabilidade, melhor percepção de competência real, mesmo que os profissionais n]ao sejam “altamente qualificados”.
Com propósito, processos e real entendimento da capacidade de atendimento é possível criar e organizar uma Universidade Corporativa em sua academia, promovendo treinamentos, capacitações e atualizações constantes.





