
Excelência Operacional em Salas de Musculação
CREF: 16603-G/RJ
Instalar sensores nos equipamentos da sala de musculação é uma boa pedida para medir parte da operação?
A resposta é: Sim, dependendo de como a operação é planejada. A rede de academias Selfit entrou nessa há pouco tempo e já colhe frutos com as informações.
A rede reduziu as quantidades de alguns equipamentos e aumentou consideravelmente a quantidade de outros com base no comportamento do consumidor em horários de pico. Isso faz com que ela não precise padronizar a quantidade de equipamentos em sala por ser uma rede com marca forte, significa adaptar a marca ao comportamento de consumo local.
Um dos exemplos da rede é a redução de 30 para 15 esteiras em determinada unidade, com aumento considerável na quantidade de Cross Overs, equipamento extremamente disputado em horários de pico.
A Selfit define sua operação como HVLP (High Value, Low Price), ou seja, valores acessíveis com alto valor agregado. É um desafio e tanto para gerar essa percepção na mente do consumidor, já que o termo low cost está enraizado quando o assunto é rede de academia com mensalidade extremamente acessível.
O objetivo da instalação dos sensores é mapear a sala e reduzir filas em equipamentos, tornando a experiência do cliente mais fluida, com menos espera para utilização dos principais equipamentos.
Como isso afeta a operação das academias?
Antes de começarmos, vale ressaltar que copiar esse modelo pode não ser o ideal para sua academia, principalmente se ela promete entregar um serviço diferenciado em relação às redes.
Nas redes low cost e no modelo Selfit, o pensamento estratégico para melhorar a operação está no consumidor que age de forma autônoma. São modelos de academias onde a assistência da equipe técnica não tem a mesma proposta de monitoramento de uma academia premium, ou até mesmo de uma academia de bairro que inclui a atuação mais próxima do profissional junto ao cliente.
Saber quais equipamentos são mais utilizados é fundamental, mas saber quais estão sendo prescritos ou esquecidos pelos profissionais adiciona um “Q” a mais no planejamento da operação dentro da sala de musculação. E isso pode salvar seu negócio.
O abandono que gera prejuízo
Muitas academias mostram, na prática, grande variabilidade operacional, e acredita que o faturamento caiu por conta da qualidade do lead. Cada turno atende de um jeito e cada professor tem seu “bom senso”. É mais fácil entender o lead desqualificado do que a variabilidade operacional. É por isso que cada vez mais se investe em tráfego pago.
Trabalhei em uma academia com forte atuação do profissional junto ao cliente. Um dos equipamentos que eu mais gostava foi retirado e perguntei o motivo: A resposta foi: “Ele praticamente não é utilizado”.
Mesmo sem ferramentas de IA na época, recorri ao bom e velho excel para realizar uma auditoria interna das prescrições. Peguei 40 treinos de cada professor para verificar quantos deles tinham na lista de exercícios aquele equipamento, o supino vertical articulado.
Analisei perto de 200 treinos e apenas 10 haviam a prescrição desse equipamento, todos meus.
Quando um professor ou equipe não acredita na eficácia de um equipamento e não o prescreve em parte dos programas, dificilmente o aluno também acreditará. É claro que na época (década de 2000) não havia consultoria online e nem influenciador digital. Era mais fácil influenciar com a presença e expertise dos profissionais de sala. Uma informação importante: O equipamento era bom, muito bom mesmo.
O que avaliar em sua academia?
Se sua academia apenas abre as portas para que os clientes utilizem os equipamentos da forma que acharem melhor, utilizar os sensores para mapear que espaço fica mais ocupado em determinado horário, assim como equipamentos que geram mais filas, é válido. Entretanto, se sua academia preza pelo serviço bem prestado, onde ao menos 70% dos clientes seguem uma programação planejada pelo profissional de sala, os dados fornecidos pelos sensores geram informações mais ricas e úteis ainda, como:
- Equipamentos que geram mais filas, seja por prescrição ou uso por conta própria;
- Setores (quadrantes) com maior concentração de pessoas em determinados horários, podendo causar acidentes ou outros problemas por conta de lotação;
- Equipamentos mais prescritos vs menos prescritos, sinalizando vícios de prescrição ou abandono de determinado equipamento por parte dos profissionais (cruzamento de dados com auditoria de treinos);
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A lacuna da operação que gera variabilidade na experiência do cliente
Cliente que frequenta sua academia em diferentes horários e que tem a impressão de estar em academias diferentes, se torna um risco. Muitos gestores acreditam que a evasão é motivada por situações pontuais ou maior conveniência ofertada ao cliente perto de casa.
O cliente de hoje entende mais de saúde, entende sobre como funciona os modelos de negócio e sabe o que esperar.
Imagine você entrando em um hotel famoso, de uma rede consolidada há décadas no mercado mundial, recebendo atendimento com padrões distintos em diferentes horários. É o mesmo que pode estar acontecendo em sua academia, dentro da sala de musculação. Sendo assim, responda essas perguntas em um papel:
- Que tipo de decisão estratégica você poderia tomar com dados dos sensores instalados nos equipamentos da sua academia?
- Há algum procedimento operacional que foque na distribuição dos equipamentos nas prescrições?
- Com dados dos sensores e auditorias internas dos treinos, você consegue enxergar parte do “GAP” que gera variabilidade operacional?
Se você pretende ter uma marca forte no mercado, seja no bairro ou em rede espalhada pelo país, não tenha dúvidas de que a variabilidade operacional é a maior causa do churn em sua academia.
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Prof. Esp. Fábio CantizanofabioEditar perfil




