
Excelência Operacional em Salas de Musculação
CREF: 16603-G/RJ
40+ não é bola da vez, é um público que permanecerá nas academias e negócios afins por inúmeros motivos. Se as academias não se prepararem para atender essa demanda, com foco em permanência, continuarão gastando rios de dinheiro em vão com tráfego pago.
Cada vez mais gestores projetam espaços para atender o máximo de heterogeneidade dentro da sala de musculação, com luzes hexagonais, equipamentos organizados de acordo com as tendências de mercado, mas será que é suficiente?
Investir na experiência de um público que tem cada vez mais consciência sobre a importância da prática do treinamento de força para longevidade, requer avaliar a experiência, a jordana como um todo, não apenas a assinatura de um arquiteto famoso e a presença de um coordenador influenciador colocando a cara.
40+ é oura pegada! Vamos entender alguns motivos para que este público permaneça dentro da sua academia, se ela promove realmente um ambiente acolhedor, com equipe competente.
1. Preservação da massa muscular e combate à sarcopenia
Não é de hoje que a mídia e médicos batem nessa tecla com frequência. Para muitos no passado, sarcopenia era sinônimo de perda de massa muscular do ponto de vista estético com impacto discreto na saúde em geral. Como após certa idade perde-se pequeno percential em massa muscular, poucos faziam as contas sobre esse acúmulo ao longo dos anos e reais impactos funcionais e fisiológicos.
A informação anda mais rápida, muitas vezes rasa, gerando atitudes impulsivas nem sempre adequadas para o momento que a pessoa está vivendo. Como sua academia conduz a experiência?
A perda de massa muscular tem impacto fisiológico, funcional, morfológico e também na produtividade. Quem tem 40 anos hoje tem consciência de que vai se aposentar mais tarde. O discurso vai além da hipertrofia, vai de encontro a um mix de qualidades físicas a serem trabalhadas ao mesmo tempo para saúde integral.
2. Saúde óssea e prevenção de Osteoporose
Mesma atenção dada ao processo de sarcopenia. A osteoporose traz com o tempo uma série de riscos. Embora hajam tratamentos medicamentosos para ajudar a reduzir o avanço, já está provado que o treinamento de força, associado ao de impacto bem planejado, é o que traz melhores resultados em autonomia e prevenção de acidentes por falta de equilíbrio e potência muscular.
Muitas pessoas caem (queda) por conta da fratura proveniente de ossos com baixa densidade mineral óssea, outras fraturam por conta de queda. Além de preservar a massa muscular, a potência muscular e o estímulo provocado pela união do treino de força, impacto e equilíbrio, geram segurança e boa capacidade de resposta frente aos riscos.
Pode parecer discurso de 60+, mas o nível de consciência do 40+ está na prevenção. Temos que nos atentar de forma estratégica. Prevenção e permanência na jornada a partir dos 40. Isso impacta a forma que seus professores se comunicam, os conteúdos publicados pela sua marca e a preparação da equipe para o dia a dia.
3. Saúde cardiovascular e capacidade funcional
Muitas salas de musculação investem pesado em um setor “cardio”, mas não exploram o potencial dos equipamentos para melhorar a experiência do cliente. Essa experiência não pode se limitar ao acolhimento, ao ambiente ou a prescrição genérica, como vemos com frequência.
Sociedades de medicina do esporte e de cardiologia espalhadas pelo mundo, além da própria OMS, enfatizam a prática regular do treinamento aeróbico para saúde e qualidade de vida, assim como o treinamento de força. Entretanto, o desequilíbrio no foco das academias vai contra as recomendações mais atuais.
O que vejo com muita frequência quando faço auditorias técnicas em academias:
- Treinamento de força bem elaborado, considerando diversas varáveis;
- Treinamento aeróbico prescrito de forma genérica, com poucos variáveis sendo exploradas e monitoradas;
- Equipamentos de “cardio” sendo usados de forma autônoma por clientes, seja em aquecimento ou um “cardiozinho” após o treino de musculação;
- Pouca ênfase no discurso sobre a prática do treinamento aeróbico como elemento essencial da saúde e qualidade de vida;
Equívoco que o público 40+ percebe de cara?
PAra saúde e qualidade de vida, recomenda-se a prática de ao menos 150 minutos de treino aeróbico por semana, podendo ser planejado diariamente ou em dias alternados. Treinos de força trazem excelentes resultados em 3x por semana. Para que haja equilíbrio muscular e capacidade cardiopulmonar, a frequência e volume de treino aeróbico deveria ser maior do que o de treinamento de força.
Por mais que seu cliente tenha como objetivo focar na força e hipertrofia, jamais deverá passar pela sua academia e não ser alertado pelos profissionais do salão de musculação sobre a importância dessa proporção, tomando suas decisões de forma consnciente, não com base na internet.
Analise as prescrições dos seus professores, veja se os critérios e cuidados na prescrição do treino aeróbico estão na mesma proporção do treinamento de força. Se o setor “cardio” da sua academia é supervisionado pelo profissional da musculação, a atenção deve ser a mesma.
Por mais que o treinamento de força também promova saúde cardiovascular, não se compara ao treinamento especifico para desenvoler essa capacidade física.
4. Prevenção de dores lombares e problemas posturais
Como a prescrição da sua academia ocorre? Objetivo e frequência semanal como base? Não está errado, desde que na anamnese haja adaptação com base na faixa etária.
Todo sistema de gestão de academias com avaliação física apresenta campos de anamnese básica. Se utilizar apenas o básico, diversas informações importantes e estratégicas ficarão de fora.
As perguntas que fazemos para uma pessoa de 20 anos são diferentes das perguntas que fazemos aos 40+ ou 60+. O básico permanece, mas o direcionamento das perguntas deve ser com base na faixa etária, ocupação e sintomas previsíveis. Dores lombares e em demais articulações, além de vícios posturais, são mais comuns em quem está avançando na idade, é economicamente ativo e acumula sedentarismo.
Aqui não entra apenas informação de mídia, o 40+ sente no corpo. Por isso o discurso no salão e nos conteúdos não pode ficar limitado ao “tanquinho” e hipertrofia muscular. Dor e vícios posturais influenciam a produtividade. Como está o discurso da sua marca para este público?
5. Saúde mental e controle da ansiedade
O exercício tem efeito direto sobre o bem-estar emocional nessa fase da vida, fato.
Uma pesquisa com 1.250 pessoas acima de 40 anos, conduzida pela Universidade Estadual de Iowa, mostrou que fazer exercício físico regular ajuda muito no controle da ansiedade, uma questão normalmente frequente para quem está envelhecendo. Isso é especialmente relevante em fases de transição de carreira, aposentadoria ou reorganização de rotina, quando a ansiedade tende a aumentar.
Comparação com os demais da internet em momentos de vida, redução do poder de compra e sensação de que não está dando conta são apenas alguns, dos diversos motivos que agravam a ansiedade na população. Por mais que parte desse quadro seja combatido com fármacos, a essencialidade do exercício físico bem planejado é evidente, na prática e consolidado pela ciência.
Exercício físico bem planejado tem influência direta em aspectos bioquímicos do corpo como um todo, além do ambiente colaborar com a distração em geral. Academia é perfeito, desde que o 40+ se sinta pertencente ao espaço, sem tropeçar em tripés e demais aparatos de quem não está ali com motivação semelhante. Quanto mais homogêneo for o salão de musculação, nesse caso, melhor.
6. Função cognitiva e desempenho profissional
Melhora das funções executivas do cérebro, associação de informações, capacidade e velocidade de raciocínio, memória e planejamento são alguns dos benefícios da prática regular e bem orientada de exercícios físicos.
Em uma era de IAs, jovens entrando no mercado de trabalho (aceitando salário menor) e cada vez menos garantia de estabilidade, além da saúde mental, o 40+ precisa se manter hábil em relação ao trabalho.
A disciplina na prática de exercícios pode fazer a diferença nesse cenário. De que forma sua academia ajuda o cliente 40+ a planejar a rotina, sem prejudicar a frequência na academia. Por sermos da área da saúde, não podemos apenas prescrever, temos que ajudar a planejar a rotina como um todo para a frequência não cair, sendo ela o KPI mais utilizado para previsão de evasão.
7. Produtividade e menos afastamento no trabalho
Antigamente as pessoas não tinham receio de afastamento por doenças. Atualmente, com a velocidade que um profissional pode ser substituído, manter-se produtivo e longe de doenças aumenta a chance de permanência no mercado de trabalho com reputação em dia.
Um colaborador que pratica exercícios físicos regularmente tem um índice de 30% maior de produtividade e registra uma motivação para o trabalho 40% maior, além de apresentar menor incidência de dores musculares e menor número de faltas por problemas de saúde, resultando em menos absenteísmo e mais eficiência. Isso é crucial para quem planeja seguir produtivo, seja como empregado ou empreendedor na década que precede ou substitui a aposentadoria tradicional.
Faz sentido para você, gestor de academia?
8. Envelhecimento ativo e prolongamento da vida útil profissional
Para quem não pretende (ou não pode) se aposentar cedo, manter o corpo preparado é estratégico: o conceito de “envelhecimento ativo” da OMS mostra que o exercício físico contribui para a produtividade e a satisfação no trabalho. Permite que os trabalhadores enfrentem os desafios profissionais com resiliência.
Ao mesmo tempo, o sedentarismo acelera o declínio relacionado à idade que afeta sobretudo as capacidades físicas e sensoriais, sendo mais acentuado justamente nas funções que exigem maior esforço físico. O exercício é o principal fator de proteção contra essa curva de queda, sustentando tanto a longevidade quanto a permanência ativa no mercado.
Nesse caso, para quem é 40+, a prevenção é uma forma de garantia de produtividade na longa jornada que tem pela frente.
Somos da área da saúde e não podemos ignorar dados e cenários por faixa etária. Lotar uma sala com equipamentos, promover um clima com luzes hexagonais e colocar uniformes em profissionais para supervisão no salão não é suficiente para gerar valor e confiança em quem é 40+.
Se o público está mais consciente, temos que andar na frente. A academia atualiza o cliente sobre as necessidades dele, não ele que atualiza seu negócio com base em notícias de massa. Percebe a diferença?
Fábio Cantizano




